Nos últimos meses, temos testemunhado constantes desastres após eventos climáticos extremos. Uma realidade que tem se agravado pela falta de ações do poder público para evitar mortes e incontáveis danos humanos, principalmente às populações mais vulnerabilizadas e ameaçadas. As fortes precipitações no Nordeste, os deslizamentos no Sudeste, os ciclones extratropicais e cheias recordes no Sul agora se somam a um outro lado dessa moeda, a estiagem na região Norte.
Os extremos de chuva e a seca que atinge a Amazônia, são ambos agravados pela crise climática e pelo fenômeno El Niño, que ganhou força em um planeta já mais quente. Os efeitos dessas crises são gigantescos, e elas têm mais um fator comum, impactam de forma desproporcional as populações ribeirinhas, pescadores e pescadoras, comunidades indígenas, quilombolas, população preta, periférica e trabalhadora – as primeiras a sofrerem as consequências e as que possuem menos ferramentas para reagir.
Neste 13 de outubro, Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, uma pesquisa realizada pelo Greenpeace Brasil, com dados coletados pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), revela que 63% dos brasileiros se sentem inseguros ou muito inseguros em relação a eventos climáticos extremos em suas cidades. O detalhamento por classe social mostra que há uma diferença relevante nessa percepção de segurança, pois 56% das pessoas das classes A e B afirmam se sentir inseguras ou muito inseguras, enquanto entre as pessoas das classes D e E, o percentual chega a 70%.
As informações da pesquisa também apontam que 62% dos brasileiros reconhecem que pessoas pobres são as mais afetadas por eventos climáticos extremos, e 77% dos moradores das capitais brasileiras confiam pouco ou não confiam nada na capacidade de suas prefeituras para prevenir ou reduzir impactos de desastres causados pelas mudanças climáticas, como enchentes ou deslizamentos de terra. Ainda nesse quesito de confiança, o recorte por raça revela que 72% das pessoas pretas cofiam pouco ou não confiam nas gestões municipais enquanto entre os brancos o percentual é de 63%.
Por Yuri Andrade
fonte: Greenpeace
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