Criado em 2007 pela ONU e instituído no Brasil pela Lei 13.652/2018, o Dia Mundial e o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo são celebrados em 2 de abril.
O objetivo da data é promover conhecimento sobre o espectro autista, bem como sobre as necessidades e os direitos das pessoas autistas. O autismo é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro e afeta aspectos da comunicação, linguagem, comportamento e interação social.
Dada a larga variação de características e os diferentes graus de necessidade de suporte, o autismo foi classificado como um espectro em 2013 pela American Psychiatric Association – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - 5ª edição.
Atualmente, o autismo é classificado em três níveis, que variam de acordo com a necessidade de suporte:
• Autismo nível 1 – pouca necessidade de suporte
• Autismo nível 2 – necessidade de suporte moderada
• Autismo nível 3 – muita necessidade de suporte
Os suportes terapêuticos podem promover mais autonomia e qualidade de vida à pessoa autista e devem ser realizados por equipes multidisciplinares, integradas por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e educadores físicos.
Pais e cuidadores também precisam receber orientações adequadas e os ambientes devem ser acessíveis, inclusivos e acolhedores da pessoa autista.
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e o transtorno do espectro autista (TEA) são condições do neurodesenvolvimento que podem atingir crianças e adolescentes. Dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) mostram que em torno de 5% a 8% da população mundial tenha TDAH. Já o estudo "Retratos do Autismo no Brasil em 2023", revela que 4 milhões de brasileiros tenham o diagnóstico do TEA.
Apesar de suas diferenças de diagnóstico e de manifestação, os distúrbios compartilham algumas semelhanças. Confira.
*Semelhanças entre TDAH e autismo*
Indivíduos com TDAH ou TEA podem encontrar desafios em manter a atenção em tarefas ou interações sociais por períodos prolongados. Além disso, pode-se observar padrões de comportamentos repetitivos ou de fixação em interesses específicos, embora as motivações possam variar.
Outro ponto em comum é que as características podem mudar amplamente de indivíduo para indivíduo. "Essa sobreposição nos desafios de comunicação e atenção pode, às vezes, complicar o diagnóstico diferencial entre os dois transtornos. Por isso, a importância de uma avaliação detalhada e individualizada com um profissional especializado", realça o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe.
*Diferenças entre TDAH e autismo*
O TDAH é primariamente caracterizado por dificuldades na manutenção da atenção, impulsividade e hiperatividade. Além do impasse em concentrar-se por períodos prolongados, os indivíduos costumam agir sem pensar. E isso pode ser observado em todos os ambientes, impactando significativamente a vida social, acadêmica e profissional.
Já o TEA é caracterizado por déficits nas interações sociais e na comunicação, bem como por padrões de comportamento, interesses e atividades restritos e repetitivos. Além disso, o TEA inclui uma gama de sintomas sensoriais, como hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos visuais, auditivos ou táteis, que não são características do TDAH.
*Diagnóstico*
Os diagnósticos são confirmados por meio de avaliações clínicas. Isso inclui entrevistas com pais ou cuidadores, observações comportamentais e uso de escalas e questionários padronizados. Tudo é realizado por uma equipe multidisciplinar, que reúne pediatras, neuropediatras, psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais. O diagnóstico dos dois transtornos segue critérios detalhados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5.ª edição (DSM-5), e na Classificação Internacional de Doenças, 11.ª edição (CID-11).
*Tratamento*
O tratamento é altamente individualizado e deve ser ajustado às necessidades que mudam ao longo do tempo. No TDAH, geralmente são combinados medicamentos que melhoram a atenção e controlam os impulsos, com terapias comportamentais e adaptações pedagógicas de acordo com as necessidades. Para o TEA, o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar que inclui terapias comportamentais, terapêuticas e educacionais, além de intervenções psicossociais para desenvolver e melhorar as habilidades. O suporte é estendido também à família da pessoa com TEA, visando a um melhor ajuste social e emocional.
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