As tarifas norte-americanas contra a China já começaram a valer a partir desta quarta-feira (9), após o país asiático não desistir da retaliação aos EUA dentro do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump.
Com a decisão, a tensão comercial entre os dois gigantes só aumenta. A China já havia dito que não voltaria atrás na decisão e que estaria pronta para seguir respondendo aos aumentos tarifários, apesar de considerar que "em uma guerra comercial não há vencedores".
Por outro lado, a indústria amazonense informa que acompanha com atenção os desdobramentos da recente medida adotada pelo Governo dos Estados Unidos. As ações, que visam proteger a indústria norte-americana, podem abrir novas oportunidades para a Zona Franca de Manaus (ZFM) e para a economia brasileira como um todo.
De acordo com titular da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI), Serafim Corrêa, o aumento das tarifas sobre setores como eletroeletrônicos, automotivo, metalúrgico e têxtil, combinado à manutenção de tarifas mais baixas para produtos brasileiros, pode favorecer o fortalecimento da base industrial amazonense, estimulando as exportações da região para o mercado norte-americano.
A Zona Franca de Manaus, por suas características de competitividade, incentivos fiscais e capacidade produtiva instalada, surge como uma alternativa viável para empresas globais que buscam escapar das novas tarifas sobre a produção asiática.
“Há um campo imenso para a Zona Franca de Manaus agredir, no bom sentido, o mercado americano e por certo, isso vai acontecer, exatamente com as empresas asiáticas que estão no PIM.
Além disso, outras empresas de origem asiática, após a decisão do governo americano, passaram a consultar a SEDECTI, A SUFRAMA E SUDAM, para entender como funciona os incentivos fiscais, afim de usar a Zona Franca de Manaus uma plataforma de venda para os EUA. Isso é muito positivo no momento em que, eu diria que Zona Franca de Manaus está em ‘céu de brigadeiro’”, afirmou.
Setores como o de motocicletas, componentes técnicos e aparelhos eletrônicos, tradicionalmente fortes na ZFM, tendem a ganhar espaço nas exportações brasileiras, especialmente para os Estados Unidos, que já figuram entre os principais destinos dos produtos amazonenses.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2024, os EUA foram o terceiro maior destino das exportações do Amazonas, com destaque para motocicletas, distribuidores automáticos de papel-moeda, rodas dentadas e outros órgãos elementares de transmissão, além de outros produtos.
Apesar do cenário favorável, a Sedecti ressalta a importância de ações estratégicas para mitigar riscos e ampliar a competitividade nacional. Entre as recomendações estão: a redução do chamado Custo Brasil; investimentos em infraestrutura logística; Incentivo à capacitação de mão de obra, preparando profissionais para atender às novas demandas do mercado exportador; e promoção da ZFM e do Brasil como alternativas viáveis para empresas internacionais que buscam evitar tarifas elevadas dos EUA.
Por: Italo Ramos
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