Um lixão flutuante instalado há 20 anos no vilarejo peruano de Islândia, na tríplice fronteira com Brasil e Colômbia, vem contaminando o rio Javarizinho (afluente do Javarmeioi) e afetando diretamente Benjamin Constant, no Amazonas. A Defensoria Pública do estado acionou o governo federal com ofícios exigindo ação internacional para resolver o problema. O depósito irregular, que ocupa 4.800 m² com montes de até 9 metros de altura (90% submersos na cheia), contém resíduos orgânicos, hospitalares e metais pesados despejados diretamente no rio.
De acordo com o Grupo de Articulação e Atuação Estratégica para Acesso à Justiça dos Grupos Vulneráveis e Vulnerabilizados (GAEGRUV), o município de Benjamin Constant é o mais afetado pelo problema ambiental-sanitário. Banhada pelo Javari, a cidade de cerca de 45 mil habitantes recebe as águas contaminadas do lixão. Análises municipais mediram apenas 1,28 mg/L de oxigênio dissolvido a valor abaixo do mínimo de 5 mg/L exigido para vida aquática.
Em resposta, o Ministério do Meio Ambiente informou ter proposto ao Peru a construção de um aterro sanitário binacional durante reunião do Grupo de Cooperação Ambiental Fronteiriça. O tema será revisitado em nova sessão em 10 de julho, mas autoridades locais criticam a lentidão. “Precisamos da internacionalização do problema”, afirmou o subsecretário municipal Weique de Almeida, destacando que a cidade produz de 30 a 36 toneladas diárias de lixo, contra 10 toneladas de Islândia. “A liberação de substâncias tóxicas pode gerar surtos de doenças”, alertou o defensor público Renan Nóbrega.
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