Músicas virais, dancinhas e trends das redes sociais compõem o "edutenimento", prática adotada por docentes do ensino fundamental e médio para engajar alunos já imersos na cultura digital. A disseminação desses métodos ajuda a explicar a boa avaliação dos professores brasileiros no Pisa. Divulgado no início do mês, o levantamento mostrou que 82% dos estudantes avaliaram positivamente seus educadores, 78% disseram que eles continuam ensinando até que o aluno entenda e 76% relataram receber ajuda extra índices superiores aos dos países da OCDE.
Um exemplo é Noslen Borges, professor de português mais popular do Brasil, que combina um canal no YouTube com 6 milhões de inscritos a perfis no Instagram e no TikTok. Com músicas, paródias e humor, ele adapta trends ao conteúdo escolar. Segundo o educador, todo professor precisa hoje de presença digital, e a educação caminha para um formato cada vez mais híbrido, unindo presencial e online. Para Rafael Cunha, especialista em gamificação e diretor nacional da Microlins, traduzir o conhecimento para a linguagem do aluno mostra que aprender não está desconectado da vida real, mas é preciso equilíbrio: o entretenimento deve ser conexão para o conhecimento, não o objetivo final da aula.
Em Manaus, a professora de História Pâmela Barros Ferraz trocou a carreira de cantora pela educação, mas levou as paródias para a sala de aula. As músicas são usadas ao fim de cada conteúdo, como revisão, junto a jogos de tabuleiro, cartas e brincadeiras sobre as disciplinas. Ela criou um canal no YouTube com clipes das paródias e depois migrou para as redes sociais. Segundo Pâmela, a agilidade da mente jovem pede esse tipo de recurso, que também ajuda alunos mais tímidos a se soltarem. A psicopedagoga Alana Sineiro, da ABPp, ressalva que a interatividade sozinha não garante aprendizado: é preciso que o professor saiba o que pretende desenvolver e use a trend como ferramenta de construção do conhecimento, não apenas porque faz sucesso.
O advogado especializado em privacidade Fernando Manfrin alerta que o uso de imagem e voz de alunos em vídeos exige consentimento dos responsáveis, e um termo genérico assinado na matrícula não é suficiente.
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