Com 21 milhões de habitantes, a capital de São Paulo e os 38 municípios do seu entorno formam um raro caso de grande metrópole a se desenvolver numa área de cabeceira de rios, uma armadilha geográfica quando o assunto é a disponibilidade de água. A vazão naturalmente baixa nas proximidades das nascentes cria uma escassez crônica e praticamente irreversível.
Para evitar que as torneiras sequem na capital e arredores, a região importa mais de 50% da água de outras bacias, que são a PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Baixada Santista, Paraíba do Sul e São Lourenço. O reaproveitamento de esgoto para a recarga de mananciais pode ser considerado uma das formas mais eficientes para equilibrar a oferta, mas é também a mais culturalmente desafiadora.
O reúso potável indireto já ocorre em partes dos Estados Unidos, como na Califórnia, e em outros países como Austrália e Israel. Apesar de requerer rigoroso processo de filtragem e desinfecção, a ideia tende a gerar repulsa e desconfiança em parte da população.
No plano paulistano, o reúso planejado em mananciais estratégicos é apontado como uma medida auxiliar para manter os níveis das represas, especialmente em períodos de seca, reduzindo a dependência de transposições de outras bacias.
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