quinta, 23 de abril de 2026
27/08/2024   08:00h - Especial

27 de Agosto, dia Nacional do Psicólogo - No dia do Psicólogo, o ON Jornal entrevista a Dra. Nazaré de Souza Pereira sobre a importância da saúde mental

O Dia Nacional do Psicólogo, celebrado hoje, 27 de agosto, marca a regulamentação da psicologia no Brasil, pela Lei 4.119/1962. Oficializada em 2016, a data homenageia mais de 440 mil profissionais no país. Desde 1971, o Conselho Federal (CFP) e os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs), orientam e fiscalizam a profissão, promovendo a ética e o desenvolvimento técnico.

 

No Amazonas, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Psicologia do Amazonas (SINTRAPSI), criado em 2017, defende os interesses da categoria, que conta com mais de 7 mil profissionais no estado.

 

Pensando nesta data, o ON Jornal entrevistou Maria de Nazaré de Souza Pereira, que é professora, técnica de enfermagem, psicóloga e secretária de Formação Sindical e Relações Intersindicais do Sintrapsi. Ela conta sua trajetória, os desafios de atuar no Amazonas e a importância do profissional para os cuidados da saúde mental. Confira.

 

ON Jornal – Em que momento da sua vida, você descobriu o interesse na psicologia? O que a motivou a se especializar na área?

 

Maria de Nazaré - Quando eu morava no convento e estudava para ser freira, fui ‘juvenilista’ em uma comunidade, onde um coordenador psicólogo, despertou meu interesse pela área. Na época, não consegui cursar Psicologia por questões financeiras, então fiz Teologia e História. Depois, ao passar em um concurso, decidi cursar Psicologia.

 

ON Jornal – Como você vê a evolução das abordagens dos profissionais de psicologia ao longo dos anos?

 

Maria de Nazaré - A psicologia tem em média, no Brasil, em torno de 50 anos de idade. De lá para cá, vem evoluindo, aumentando a abordagem e eu acho muito importante porque vem ganhando espaço. Hoje, nós temos mais de 200 linhas de atuações dentro da linha da psicologia.

 

ON Jornal – Quais são os problemas mais frequentes relacionados às doenças mentais que você percebe no seu consultório ultimamente?

 

Maria de Nazaré - Problemas relacionados mais à depressão. Com o período da pandemia, realmente os casos dessa doença aumentaram bastante. A questão também da doença no trabalho, a chamada Síndrome de Burnout, devido à sobrecarga de trabalho que se tem hoje, há muita procura por psicólogos. E também o crescimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atualmente, devido o uso excessivo da internet, nós estamos recebendo muitas crianças com doenças voltadas à dificuldade de aprendizado, insônia, entre outros.

 

ON Jornal – De que maneira a banalização de doenças mentais, como a ansiedade, pelas redes sociais, pode atrapalhar a compreensão dessas condições e o acesso a tratamentos adequados?

 

Maria de Nazaré - Eu vejo a questão da ansiedade como o princípio de uma doença, que hoje está sendo um problema de saúde mental, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Se dá justamente pela questão do excesso de trabalho que nós temos hoje. A questão da própria tecnologia, o uso excessivo de internet pelos adolescentes. Esse é um problema muito sério.

 

ON Jornal – Qual o papel do psicólogo no combate a desinformações sobre essas doenças?

 

Maria de Nazaré - Apesar da psicologia estar realmente começando a ser valorizada, as pessoas ainda não procuram o profissional de psicologia. O certo é você procurar um psicólogo para ter esse diálogo, se conhecer melhor. O papel do psicólogo, a princípio, é para você se conhecer melhor, saber lidar com as suas emoções, saber lidar melhor com as suas frustrações.

 

ON Jornal – As novas tecnologias e novos modos de interação como as redes sociais podem impactar de forma negativa ou positiva na saúde mental das pessoas?

Maria de Nazaré - A tecnologia é uma ferramenta de mão dupla, é útil para pesquisas e informações em sites confiáveis com conteúdo científico. No entanto, seu uso inadequado, como em redes sociais e sites de origem duvidosa, pode ser prejudicial. É essencial verificar a credibilidade das fontes, considerando se são produzidas por especialistas qualificados.

 

ON Jornal – Quais são os principais desafios para os profissionais de psicologia para lidar com a saúde mental nos dias de hoje?

 

Maria de Nazaré - Eu acho que o maior desafio é a contratação de profissionais. Hoje, na rede municipal, na rede estadual, em nosso estado, nós temos um número muito pequeno de profissionais contratados ou concursados na rede de saúde, em vista da grande necessidade desses profissionais para atender à população.

 

ON Jornal – O que você espera no futuro com relação à psicologia?

 

Maria de Nazaré - O que eu espero no futuro da psicologia é que de fato ela seja reconhecida, que de fato seja valorizada, não só pelas pessoas, mas também pelos nossos governantes, saber o quanto é importante o profissional de psicologia. E eu espero que realmente ela seja inserida na educação, seja inserida nos postos de saúde, seja inserida no hospital, seja inserida na delegacia, em todos os âmbitos da sociedade.

 

ON Jornal – Qual o conselho que você pode dar para as pessoas hoje, com relação aos cuidados com a saúde mental?

 

Maria de Nazaré – Primeiramente ter uma boa alimentação, evitando frituras, gorduras e refrigerantes. Inclua exercícios físicos, como caminhadas semanais de 30 a 50 minutos, para melhorar a saúde mental. Valorize o sono, buscando de 6 a 8 horas de sono por noite, e evite excessos de uso da internet. Alimentação saudável, exercício e sono são cuidados acessíveis e essenciais.

 

ON Jornal – E para quem quer ingressar nessa área de psicologia, qual o conselho para quem deseja ingressar nessa área?

 

Maria de Nazaré – Sim, a área da Psicologia é muito nova no Brasil, é muito nova aqui também no estado do Amazonas, apesar de nós termos vários profissionais contratados, mas é uma área que tem um campo muito grande de atuação, ela pode ser inserida nas faculdades, como docente, na educação, saúde, área organizacional e até mesmo em recursos humanos. Eu sou muito feliz na área da Psicologia Clínica e Educacional e também sou especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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