Vaga no partido de Bolsonaro no AM tem disputa entre acusado de agredir mulher, suspeito de fraude e investigado por corrupção

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Com princípios de defesa dos valores cristãos, o Aliança pelo Brasil – partido em fase de formação pelo presidente da República, Jair Bolsonaro -, tem seu comando disputado no Amazonas por três homens que possuem em comum um histórico polêmico na vida pessoal e pública.

O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Ubirajara Rosses responde por agressão física à ex-namorada; o irmão dele, deputado estadual Péricles Rodrigues (PSL), é suspeito de tentar fraudar um concurso para delegado da Polícia Civil; e o deputado federal Pablo Oliva (PSL) é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Polícia Federal (PF).

Levados à popularidade nas eleições de 2018, quando surgiu a onda bolsonarista na internet embasada, principalmente, por robôs que espalhavam fake news, os três políticos são presenças assíduas nas redes sociais em críticas ao Poder Público local, mas em nada ou pouco comentam sobre as investigações que envolvem o “clã Bolsonaro”.  

Jair Bolsonaro e seus filhos mais velhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-Rio), são investigados ou citados em diferentes processos no Supremo Tribunal Federal (STF), no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, na Câmara Federal e no Senado.  

Boletins de ocorrência

Com pelo menos dez boletins de ocorrência (BOs) por agressão física, agressão verbal e injúria, o tenente-coronel Ubirajara Rosses é acusado pela ex-namorada e mãe da filha dele, Carla Trindade, de costumeiramente agredi-la por conta da guarda da criança.

A reportagem teve acesso aos BOs que mostram as acusações de Carla nas quais ela diz que Rosses a ofendia com palavras de baixo calão e a agredia com tapas no rosto. A reportagem ouviu vizinhos no condomínio de Carla que mostraram um histórico vasto de registros de ocorrências contra o tenente-coronel nos últimos três anos.

Ubirajara, também, fez boletim de ocorrência contra Carla Trindade, acusando-a de pegar fotos na casa dele que podem comprometê-lo, mas no documento, ele não dá detalhes sobre as imagens. Ele registrou ainda que ao pegar a filha na casa de Carla, a criança tinha “arranhões” pelo corpo.

Para evitar mais agressões de Ubirajara Rosses, Carla Trindade conseguiu na Justiça uma medida protetiva na qual obriga o tenente-coronel a ficar distante dela a pelo menos 500 metros. A reportagem tentou contato com Carla, mas não obteve retorno.

Nas redes sociais, o tenente-coronel alterna postagens de imagens ao lado de armas, perto de políticos e com posts sobre o “cuidado com quem se ama”. Ele diz ainda em seus perfis das mídias sociais que é perseguido politicamente por fazer oposição ao governo do Estado.

Ubirajara, também, fez boletim de ocorrência contra Carla Trindade, acusando-a de pegar fotos na casa dele que podem comprometê-lo, mas no documento, ele não dá detalhes sobre as imagens. Ele registrou ainda que ao pegar a filha na casa de Carla, a criança tinha “arranhões” pelo corpo.

Para evitar mais agressões de Ubirajara Rosses, Carla Trindade conseguiu na Justiça uma medida protetiva na qual obriga o tenente-coronel a ficar distante dela a pelo menos 500 metros. A reportagem tentou contato com Carla, mas não obteve retorno.

Nas redes sociais, o tenente-coronel alterna postagens de imagens ao lado de armas, perto de políticos e com posts sobre o “cuidado com quem se ama”. Ele diz ainda em seus perfis das mídias sociais que é perseguido politicamente por fazer oposição ao governo do Estado.

Rosses foi presidente estadual do PSL no Amazonas (ex-legenda de Bolsonaro) no período de 2018 a 2019, quando ocorreu o racha entre o presidente da República e o partido. Hoje, o tenente-coronel está no PRTB, partido do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM), deputado estadual Josué Neto, mas anseia pelo comando do Aliança pelo Brasil.

Prova em xeque

No páreo com Ubirajara pela presidência do Aliança está o deputado Péricles que enfrenta uma incômoda briga na Justiça no processo de seleção para delegado da Polícia Civil, segundo informações encontradas no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ/AM).

Em 2013, Péricles registrou a nota zero em sua prova discursiva para delegado e após pedir revisão de sua nota, ela aumentou, passando de 0 (zero) para 0,5, conforme trecho do documento obtido no tribubal.

“A fls. 151 / 156, em cumprimento, o CETAM (instituição que aplicou as provas para delegado) vem INFORMAR que procedera à nova correção da prova do Requerente, atribuindo-lhe nota 0,5 (meio ponto) – e pugnando pela juntada da documentação anexa à petição.” Não bastasse a nota baixíssima nas provas discursivas, Péricles  ocupou a 321ª posição, mas ele alega que ficou na 262ª colocação pelo critério de desempatee a convocação era de 300 aprovados.

O deputado ainda quis burlar as regras do concurso, exigindo que a correção fosse realizada de uma forma em que o favorecesse. Voltando-se contra a aplicação dos critérios de desempate previstos no item 12 do instrumento convocatório do concurso, logo após a nota da prova objetiva.

Péricles argumenta que os critérios deveriam ser aplicados somente após a soma das notas das provas objetivas, discursiva e avaliação de títulos. Segundo a Procuradoria Geral do Estado (PGE), esse entendimento não encontra ressonância nas normas contidas no ato convocatório.

Corrupção passiva

Acusado de corrupção passiva, crime contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro, o deputado federal Pablo teve seus bens ‘sequestrados’ após determinação da Justiça Federal no Amazonas. A informação foi disseminada pelo jornal Folha de São Paulo.

Pablo Oliva é investigado na Operação Seronato – deflagrada no dia 15 de maio deste ano – acusado de utilizar seu cargo de delegado na Polícia Federal para praticar ilícitos. O parlamentar teria se aproveitado de informações obtidas em investigações para viabilizar o agenciamento de venda de uma empresa para a sua mãe, entre 2011 e 2012. 

Na operação, um dos alvos é a própria mãe de Pablo, Eda Maria Oliva Souza, mais um outro familiar, dois empresários e a ex-sócia de uma das empresas envolvidas.  O nome da operação é uma alusão às suspeitas de que um dos investigados teria se prevalecido do cargo policial para cometer fatos que tinha por dever reprimir.

Durante uma apreensão em imóveis do deputado Pablo, foi encontrado arquivos no computador dele documentos sobre um curso de lavagem de dinheiro. Ele foi acusado ainda de usar da ‘força’ do cargo de delegado da PF para viabilizar a venda de empresa da mãe dele por mais de meio milhão.  

Fonte: Paulalitaiff.com