Retrospectiva Meio Ambiente: 2020 foi ano do desastre ambiental

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez cumprir sua palavra: passou com a boiada por cima de normas, Constituição, órgãos públicos, comunidades, florestas e quem mais ousasse estar pelo caminho do “progresso brasileiro” em 2020.

Em um ano marcado por recordes de destruição ambiental e pelo desmonte estatal, o fogo consumiu Amazônia e Pantanal como nunca antes se registrou, servidores foram perseguidos simplesmente por desempenharem seu trabalho, militares sem conhecimento técnico foram alçados a chefias estratégicas e o mundo passou a olhar para o Brasil como um inimigo do meio ambiente.

Em janeiro, uma situação sintomática: o ministro da Economia, Paulo Guedes, viu-se emparedado por representantes de fundos de investimentos, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). A sinalização era clara: ou o Brasil consertava sua política ambiental ou o investimento externo seria retirado do país

Uma das consequências pode ser a não concretização de um acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o que representaria a perda de R$ 50 bilhões por ano ao Brasil. Acuado, Guedes tentou acalmar os ânimos, minimizando a crise e culpando os pobres pela devastação florestal no país. O presidente Jair Bolsonaro também fez esforço para conter os danos, enviando um discurso em vídeo aos líderes mundiais, no qual garantia, entre outras falsidades, que “somos o país que mais preserva o meio ambiente”.

Não convenceu. Com a sinalização de retirada do dinheiro externo do Brasil, foi preciso que o governo tomasse medidas imediatas para tentar melhorar a imagem do país lá fora. A primeira resposta foi a criação do Conselho Nacional da Amazônia, comandado pelo vice-presidente, o general Hamilton Mourão.