Órgãos públicos investigam sumiço de avião da FAB que levava oxigênio para Manaus

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Na ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Ministério Público de Contas do Amazonas, Defensoria Pública do Amazonas e Defensoria Pública da União, esses órgãos de controle citam a retirada de um avião da Força Aérea Brasileira que fazia o transporte de cilindros de oxigênio de outros Estados para Manaus na manhã do dia do caos, a quinta-feira fatídica em que faltou oxigênio nos hospitais da capital amazonense.

No texto da ação civil, publicado dia 14 de janeiro, procuradores e defensores informam o seguinte: “Todavia, na manhã de, a informação obtida pelos canais informais de controle foi de que a aeronave em questão apresentou problemas que necessitam de reparos, de modo que houve uma paralisação no fluxo emergencial de fornecimento do oxigênio, culminando na situação atual e notória da falta do insumo nas unidades de saúde de Manaus e do interior do Amazonas.”

Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, do jornal GGN, o procurador da República Igor da Silva Spindola, um dos que assinam a ação civil, explica que o oxigênio começou a ser transportado para Manaus em aviões da FAB antes da quinta-feira, 14. “O último cargueiro da FAB chegou na quarta-feira, (13) e depois pararam de chegar. Por alguma razão alguém decidiu que esses aviões deveriam parar enquanto eles decidiam o que fazer”.

Eles, neste caso, eram as autoridades envolvidas com o Plano Emergencial de Combate à Covid-19 no Amazonas, anunciado no dia 11 de janeiro pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em Manaus.

De acordo com o procurador, houve uma reunião na quinta-feira à tarde no comitê de logística do Ministério da Saúde, em Manaus. Com a alta demanda, num período de 24 horas sem chegar oxigênio, o produto começou a faltar em Manaus, afirma Igor Spindola.

Ainda de acordo com o procurador, depois que o caos em Manaus ganhou o noticiário nacional, os aviões da FAB, que são os únicos com com capacidade para transporte do produto, voltaram a operar no transporte de oxigênio para Manaus.

“O que nos foi falado no dia é que esse avião havia quebrado, e a gente nem sabia quantos aviões eram. Tínhamos a informação de que seria só um. E a gente começou a perguntar só existe um avião, existem dois, existem três, existem quatro? E os aviões apareceram no outro dia, eles já existiam no dia anterior”, disse o procurador na entrevista.

Para Igor Spindola, “a causa imediatíssima para que se faltasse oxigênio foi essa”, ou seja, a retirada de aviões para o transporte do produto de outras cidades para Manaus.

O procurador disse que os fatos estão sendo investigados para identificar de quem partiu a ordem para suspender o transporte de oxigênio.

Como se pode ver, existe uma série de questões que precisam ser respondidas em relação à falta de oxigênio, o que resultou na morte de pacientes nos leitos de hospitais em Manaus.

Há responsabilidades na gestão da saúde que competem ao município, ao Estado e à União. E o Ministério Público precisa investigar a fundo o que aconteceu em Manaus na semana passada para depois revelar os culpados. E que cada um receba a punição de acordo com o que preconiza a legislação brasileira.

Fonte: Coluna Expressão, Portal Amazonas Atual.