No dia mundial de conscientização sobre o AUTISMO, Psicóloga afirma que ainda há muito preconceito

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No dia 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data, estabelecida em 2007, pela ONU, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica.

E para saber um pouco mais sobre o atual cenário, conquistas, tratamentos e como lidar com as pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o ON Jornal, conversou com a Dra. Maria de Nazaré Pereira, que é psicóloga e especialista em acompanhamento com crianças com TEA, pela rede pública e particular. Ela responde o que já foi feito, mas que ainda há muito o que fazer. Confira a entrevista.

ON Jornal- O dia 2 de abril foi estabelecido pela ONU como Dia Mundial da Conscientização do Autismo em 2007. Já se passaram 12 anos. De lá pra cá o que mudou?

Dra. Nazaré – Muitas coisas mudaram, os avanços aos poucos estão acontecendo através das leis e lutas dos pais. As famílias estão mais cientes e conhecendo seus direitos. Os profissionais das equipes multiprofissionais (psicólogos, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, educador físico e psicopedagogo) estão se qualificando para oferecer um serviço de qualidade apesar de ser um percentual muito baixo para a demanda.

Alguns cientistas como o professor, pesquisador e diretor do Programa de CélulasTronco, Alysson Muotri, estão em busca do conhecimento da causa ou provável cura, porém entendemos que ainda é muito pouco, mas vejo como avanços

ON Jornal – Como o autista é visto atualmente no Brasil e especificamente, no Amazonas?

Dra. Nazaré – Estamos aos poucos quebrando os preceitos e algumas barreiras, onde entendemos que nossas crianças, jovens e adultos autistas têm grande potencial e que precisam ser valorizados e respeitados.

Temos um grande percentual de adolescentes e adultos que podem ser inseridos no mercado de trabalho, e por falta de informação e conhecimentos essas pessoas estão fora do mercado. Em 2019, começou aparecer as primeiras oportunidades de emprego para eles. Espero que nos próximos anos seja melhor.

ON Jornal- Como andam as leis sobre a educação, saúde e infraestrutura que beneficiam esse público, há atenção por parte dos políticos?

Dra. Nazaré – As leis existem e são várias como a lei Berenice Piana de 12.764/12, a lei de inclusão, lei do lacinho entre outras. O problema é a concretização destas leis que não são colocadas em prática.

Na educação, por exemplo, deve-se ter um mediador na instituição para auxiliar no aprendizado do autista. Não há. O Lacinho Azul nos estacionamentos e nas filas de prioridades, também não são cumpridas! É preciso o Procon atuar os estabelecimentos para Dra. Maria de Nazaré Pereira, psicóloga e especialista em acopanhamento de crianças com TEA Ainda há muito o que fazer” “ a lei fazer valer. E assim vamos lutando! Na área de saúde a dificuldade é para agendar consultas com o neuropediatra, ter o diagnóstico e fechar o laudo para iniciar o tratamento. Eles ficam meses parados nas listas de espera ou agendam consultas com datas muito longas.

ON – De onde vem a principal ajuda para a causa?

Dra. Nazaré – Dos movimentos dos pais, que vão atrás de recursos próprios. As ongs ajudam também e isoladamente alguns políticos. Muito raro.

ON – Qual o trabalho que o psicólogo realiza no auxílio à uma pessoa com TEA?

Dra. Nazaré – A princípio a estimulação precoce para os pequenos, até três anos de idade. Depois é orientado aos pais e familiares quanto ao manejo com a criança, principalmente as mais comprometidas com o desfralde e uso de vaso. O profissional auxilia também nas terapias para minimizar as estereotipias e birras, que são bem pertinentes. Há também um trabalho com a família, principalmente a mãe que muitas das vezes chegam com predisposição à depressão e entre outros atendimentos.

ON Jornal – Aonde os pais mais erram para o bom desenvolvimento da criança?

Dra. Nazaré – Muito importante essa pergunta. Eles mais erram em superproteger a criança, dificultando assim suas habilidades e comprometendo o desenvolvimento delas. A mãe chega com sentimento de culpa pelo transtorno do filho. Outras não acreditam nas terapias, não realizam em casa o trabalho que foi orientado pelo profissional. Elas cedem as birras a aos choros dos filhos, mesmo depois de terem sidos orientadas.

ON Jornal – Quais os desafios mais urgentes a serem conquistados?

Dra. Nazaré – No momento, precisamos de mais espaços de atendimentos com profissionais qualificados para atender as crianças que estão sem terapias. Precisamos de mais neuropediatra para diminuir as longas listas de esperas. Precisamos da real inclusão dos mediadores, quando for necessário em aulas adaptadas e profissionais qualificados, ou seja, precisamos da efetivação das leis já existentes.