“Não vou sair do Brasil. Precisamos é lutar pelo que temos aqui”

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Joana D´arc Felix, cientista com 15 patentes registradas

 A brasileira Joana D’arc Felix superou adversidades, ganhou renome na ciência e hoje contabiliza importantes patentes, conquistadas em parceria com jovens estudantes. Na entrevista publicada originalmente pela Agência CNI de Notícias, ela conta mais sobre sua trajetória de superação na busca por conhecimento.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Como foi a sua volta ao Brasil?

JOANA D’ARC FELIX – Minha mãe adoeceu e decidi voltar. Comecei a trabalhar na ETEC e pensei em fazer diferente, incentivar a iniciação científica, como aconteceu comigo durante a universidade. Mas o desafio foi trazer isso para a educação básica. Hoje, o jovem não tem compromisso com a pesquisa, ele não é incentivado. Então comecei a fazer grupos de pesquisa aplicada.

No começo, tinha pouca gente. Hoje, temos fila de espera. Além disso, é um jeito de mostrar que a ciência é algo interessante, é legal. E, no Brasil, a desigualdade pesa. O jovem negro, de baixa renda, com famílias desestruturadas automaticamente, pensa que a ciência, a universidade, as possibilidades de uma vida melhor não são para ele, são só para os brancos. Vejo isso todo dia. A maioria dos alunos que chegam aqui tem histórias assim.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E como você acha que a educação impacta a vida deles?

JOANA D’ARC FELIX – Vou te dar um exemplo. Há pouco tempo dei uma palestra para jovens na Fundação Casa, onde ficam jovens infratores. Falei da minha história, falei da química, todo mundo prestou atenção. Há coisa de 40 dias, uma das psicólogas me procurou para dizer que três internos estão prestes a sair e querem fazer projetos comigo. Eles têm histórias muito violentas, mas você vê… acho que plantei uma semente no coração deles naquele dia. Temos de acreditar no poder transformador da educação. Depende de nós.

Já tive alunos envolvidos com tráfico, prostituição e hoje estão na universidade. Muitos estudando química, que eles diziam ser tão chato! No ano passado, apresentamos o projeto do cimento ósseo na Olimpíada de Gênios, em Nova Iorque. Eram 75 países participando. Nós ficamos em 4º lugar. Há chances para todos.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Muitos dos projetos desenvolvidos por vocês renderam patentes, inclusive o cimento ósseo e a pele humana sintética. Por que patentear?

JOANA D’ARC FELIX – Acredito que é um jeito de devolver à sociedade tudo o que ela me proporcionou para chegar até aqui. Estudei em uma universidade pública, a melhor da América Latina, e devo esse retorno. No caso do osso, conseguimos extrair colágeno do resíduo do couro e hidróxido apatina da escama descartada de peixes, e conseguimos criar um produto em prol da saúde humana. Ao fazer isso, diminuimos o impacto de um resíduo que não tinha serventia nenhuma e contamina o meio ambiente. Precisamos valorizar isso.

Não adianta nada produzir conhecimento que não é de interesse da sociedade. Essa mentalidade é muito real nos Estados Unidos e na Europa, mas aqui no Brasil não é comum. Depois que temos a patente, fazemos a transferência de tecnologia e a nossa inovação chega nas pessoas. E, assim, temos jovens de 15, 16 anos recebendo royalties pelo que criaram.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O que você acha da parceria entre centros de pesquisa e a iniciativa privada?

JOANA D’ARC FELIX – Mais uma vez, algo muito comum e incentivado lá fora é mal visto no Brasil. No ano passado, conseguimos, com uma empresa do Rio de Janeiro, 50 bolsas de estudo para iniciação à ciência e financiamento para novas pesquisas. A gente não pode esperar só o governo, o dinheiro público. Tem tanto pesquisador com o recurso aprovado em fundos públicos, mas o dinheiro não chega nunca. Temos de atuar com o setor privado, com a indústria. Eu sei que é difícil, mas não é impossível.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Você tem vontade de sair do Brasil? Deve receber muitos convites.

JOANA D’ARC FELIX – Eu não vou largar o Brasil por nada. Precisamos é de lutar pelo que temos aqui. Fazer o nosso país melhor.

ISGH abre 1.102 vagas em Hospitais do Ceará

O Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar do estado do Ceará (ISGH) tem oito novos editais lançados para realização de processo seletivo. São 1.102 vagas em cadastro reserva para atuação em funções de todos os níveis de escolaridade e contratação por tempo indeterminado no Hospital Regional do Sertão Central, no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara, no Hospital Regional do Cariri, no Hospital Regional Norte, nas unidades primárias de saúde, no Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar e em unidades de pronto atendimento.

As inscrições já estão abertas e vão até o dia 17 de junho, pelo site do Instituto Pró-Município: www.promunicipio.com. As taxas de participação variam entre R$ 60,00 e R$ 120,00, de acordo com a função, e não há previsão de isenção da taxa.

As vagas estão nas funções de Auxiliar Administrativo, Auxiliar de Almoxarifado, Auxiliar de Escritório, Auxiliar de Laboratório, Conferencista e Expedidor de Roupas, Auxiliar de Equipamentos Biomédicos, Técnico Em Enfermagem, Assistente Financeiro, Enfermeiro (várias áreas), Médico (várias áreas), Controlista de Acesso, Motorista Administrativo, Motorista de Ambulância, Técnico Em Radiologia, Técnico Em Saúde Bucal e Engenheiro de Segurança do Trabalho. As remunerações variam entre R$ 958,50 e R$ 13.512,57.

A seleção dos candidatos acontecerá por meio de prova objetiva para todas funções, além de prova de títulos, para cargos de nível superior.