“Não queremos privilégios, queremos nossos direitos e respeito como qualquer outro’’. diz líder indígena, Turí Sateré, ex-coordenador da Copime

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Criada para dar visibilidade aos indígenas que vivem em Manaus, a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entornos (Copime), é um dos órgãos que mais vem ganhando importância nos últimos tempos.

A pandemia do novo coronavirus expôs a grave situação que povos tradicionais brasileiros vivem em cidades urbanas no país.

Ao ON Jornal, o indígena Turí Sateré, ex-coordenador da Copime (2014-2020), explica como o grupo trabalha e o objetivo da instituição ainda pouco conhecida.

ON Jornal- O que é a Copime?

Turí Sateré- Bom, a Copime foi cria em 2008, com um pequeno grupo de lideranças. O órgão atende os povos indígenas que vivem em Manaus e entornos, que não tem assistência pública, que não são vistos com os mesmos olhos que o cidadão comum manauara.

Nós lutamos para que os indígenas que vivem aqui tenham o mesmo direito que qualquer outro. Por que, lá no seu lugar natural, não tem educação de qualidade, não tem saúde, não tem emprego, não é assistido pelo poder público.

Então, devido a isso, muitos indígenas vêm para Manaus em busca disso e aqui acabam se instalando, mas não reconhecidos como deveriam.

A Copime é criada pra dar visibilidade para esse grupo.

ON Jornal- Dentre tanto direitos, quais os mais urgentes que a instituição destaca?

Turí Sateré- Há vários, né! O órgão veio pra organizar esses povos na cidade. Os direitos mais urgentes que recebemos é sobre Terra e moradia, saúde, educação e cultura.

Com base nisso, foi formado comissões desses setores. Cada uma delas é coordenado por um líder indígena. Com isso, nós conseguimos atingir muitas pessoas. É algo organizado.

A Copime também busca ter autonomia pra falar, para se posicionar. Não apenas ser representado por algum órgão único do governo, mas também falar por si.

ON Jornal- Quantos povos indígenas a Copime registrou em Manaus?

Turí Sateré- No ultimo censo levantado em 2015, registramos mais de 45 povos em Manaus e mais de 45 mil indivíduos indígenas. Hoje, já deve ter muito mais.

Periodicamente nós fazemos reuniões nas comunidades para tentar ouvir todos. Não é algo fácil, mas é necessário. Nós vamos até os indígenas que precisam da gente.

ON Jornal- Como o poder público vê a Copime e como está o apoio dos governos à instituição?

Turí Sateré- Bom, hoje a Funai nos ajuda em algo, é um parceiro muito importante. Mas infelizmente o governo tem travado muito o trabalho deles. Hoje praticamente ela ta acabada, está sobrevivendo por aparelhos, está  muito limitada.

A Funai tem a função de demarcar e proteger os povos indígenas, né, mas isso não tem acontecido muito bem.

Infelizmente, o governo não tem um projeto pra nós. Mas nós temos um projeto pra nós.

ON Jornal- Qual era o seu trabalho dentro do órgão e quais vitórias já conquistadas?

Turí Sateré- Como coordenador, eu recebia as demandas das comunidades. Eu era responsável por levar ao poder publico essas demandas e fazer também a articulação para que elas fossem atendidas.

As vitórias foram várias. De 2014 a 2017, nós conseguimos dar um nome para a Copime, por que ela não tinha e começamos a mostrar que existe um movimento em Manaus.

Na pandemia, fizemos várias ações para defender os índios. Conseguimos cestas básicas, materiais de higiene e assistência para as comunidades. Ajudamos mais de 15 mil pessoas. Foi maravilhoso.

Aos poucos estamos conquistando mais espaço e notoriedade na cidade.

ON Jornal- Qual é seu maior sonho em relação a Copime?

Turí Sateré- Bom, o meu sonho eu já realizei, que foi entrar na Copime e sair de lá com o nome limpo. Fazer uma boa gestão e deixa-la como está hoje. Isso eu consegui realizar.

Mas tem algo que nós sempre desejamos, que é colocar mais representação nossa nos setores públicos. Por exemplo, nós temos nosso conhecimento milenar e gostaríamos de ter parteiras nos hospitais, assim como Pajés. Por que para nós é importante. A medicina contemporânea é importante também, mas para nós é importante os nossos ensinamentos tradicionais e gostaríamos que eles fossem aplicados e respeitados nos espaços públicos e uma serie de outras coisas. Aos poucos estamos conseguindo.

Não queremos privilégios, queremos nossos direitos e respeito como qualquer outro.

Para conhecer mais sobre a Copime, acesse a página da instituição no Facebook: https://www.facebook.com/people/Copime-Copime/100009877891694