Indigenista referência na Funai morre após flechada em Rondônia

0
21

Um dos principais indigenistas em atividade no país, com cerca de 30 anos de experiência na Funai (Fundação Nacional do Índio), Rieli Franciscato, de 56 anos, foi morto ontem (9) com uma flechada no peito ao se aproximar de um grupo de indígenas isolados. Ele tentava evitar um atrito entre os isolados e a população não indígena que presenciou o aparecimento repentino dos indígenas em um sítio na zona rural de Seringueiras, em Rondônia.

Rieli era considerado um dos mais experientes indigenistas no trabalho de monitoramento dos grupos isolados no país e um dos principais defensores dos isolados em atividade no país, além de ser uma referência para os servidores mais jov.. jovens. Sua morte causa comoção entre os servidores da Funai e indigenistas

Um policial militar enviou por áudio para amigos de Rieli um relato do que teria ocorrido. No final da manhã, a Polícia Militar recebeu um telefonema sobre o aparecimento dos isolados perto de um sítio em Seringueiras. À tarde, Rieli foi ao posto policial e pediu apoio para ir à região e checar o que tinha acontecido. Desde junho, quando o grupo conhecido como “Isolados do Cautário” apareceu em Seringueiras, a Funai atua para evitar conflitos entre isolados e não indígenas e também impedir a contaminação pelo novo coronavírus. O grupo que foi ao sítio, segundo o policial, era formado por dois PMs, Rieli e um indígena amigo do servidor. Segundo o policial, no sítio o grupo percebeu pegadas que levavam à terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau.

O grupo se dirigiu para lá, tentando saber se os indígenas haviam regressado para a mata.

Nesse momento, segundo o PM, já dentro da terra indígena, Rieli começou a subir num pequeno morro para observar a região de um ponto mais alto. “A gente só escutou o barulho da flecha, pegou no peito dele, aí ele deu um grito, ‘oi’, arrancou a flecha, voltou para trás correndo, ele conseguiu correr de 50 a 60 metros e caiu praticamente morto. A gente conseguiu deslocar ele para a viatura, que estava na estrada, viemos para trazer ele no hospital, mas ele chegou sem vida. E o nosso amigo se foi, infelizmente.”

Em um vídeo divulgado nesta noite em redes sociais pelos seus amigos, Rieli aparece respondendo a uma pergunta sobre o que desejava para o futuro do país. “O Brasil que eu quero para o futuro é que isso aqui continue sendo preservado, não só para os índios, mas para toda a população do entorno”, respondeu o indigenista. O grupo conhecido como “Isolados do Cautário” já havia aparecido na zona rural do município em junho passado, mas regressou para a mata. O nome faz referência a um rio da região…

Pela observação que a Funai tem feito à distância nos últimos anos, eles dormem em redes e se alimentam da caça e da pesca dentro da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Andam seminus e têm o cabelo cortado em forma de cuia. O grupo que apareceu em junho era formado por oito a dez indígenas, segundo uma moradora da região.

Nota de pesar da Funai Em nota, a Funai manifestou “imenso pesar” pela morte do servidor, que era “o coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru Eu Wau Wau e somava mais de 30 anos de dedicação à proteção dos índios isolados no Brasil”. A assessoria de comunicação disse que “a fundação lamenta profundamente a perda e manifesta solidariedade aos familiares e colegas do servidor. As equipes da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e das Frentes de Proteção Etnoambiental se despedem de Rieli com carinho, respeito e admiração”.

Citado pela assessoria, o atual coordenador do setor, Ricardo Lopes Dias, disse que Rieli “dedicou a vida à causa indígena. Com mais de três décadas de serviços prestados na área, deixa um imenso legado para a política de proteção desses povos”.

Via. Uol Noticias