Impacto da baixa escolaridade das mães no desempenho dos estudantes é reduzido por Escolas do Sesi

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A escolaridade da mãe é um dos principais fatores que influenciam o desempenho escolar de crianças e adolescentes, a tese, está consolidada internacionalmente. Quanto maior a escolaridade dela, melhor é o desempenho do aluno. Apesar disso, algumas experiências escolares estão amenizando essa influência em estudantes cujas mães têm baixo nível de escolaridade. É o que está ocorrendo na rede de escolas do Serviço Social da Indústria (SESI), segundo estudos feitos por especialistas no tema com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica de 2013.

Segundo análise feita pelo pesquisador Naercio Menezes, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, no estudo O desempenho da Rede SESI e das demais Redes de Ensino, enquanto 42% das mães de alunos da rede privada tinham nível superior, apenas 28% das mães dos estudantes do SESI tinham esse grau de escolaridade. No entanto, chamou a atenção do pesquisador que, mesmo com menor proporção de mães com nível superior que os alunos da rede privada, os estudantes do SESI tiveram melhor desempenho na Prova Brasil.

De acordo com Menezes, isso também se observa quando se compara a rede SESI com a rede federal que possui 39% das mães dos alunos com graduação universitária. Para o pesquisador, a influência do ambiente escolar da rede SESI no desempenho dos alunos, denominada “efeito escola” favoreceu para que os alunos do SESI tenham alcançado melhor desempenho no 5º ano do ensino fundamental que os alunos da rede privada e federal.

Também foi constatado no estudo, o efeito escola: Fatores Intra e Extraescolares, associados à aprendizagem dos alunos das escolas do SESI, coordenado por Rubem Klein, consultor da Fundação Cesgranrio. Ao analisar o nível socioeconômico e o desempenho alcançado pelos alunos da rede SESI, ele identificou maior homogeneidade das médias entre as diversas classes econômicas. “No SESI, os fatores intraescolares contribuem para atenuar os extraescolares, como a escolaridade dos pais e a renda familiar. A experiência do SESI poderá servir para o sistema educacional como um todo no sentido de apontar caminhos para minimizar a influência do nível socioeconômico no desempenho dos estudantes”, diz Klein.

Fernando Abrucio, professor de Ciências Políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), também especialista no tema, enumerou aspectos que explicam o fato de a rede de educação do SESI conseguir alavancar o desempenho dos alunos. No estudo Os professores da Rede SESI de Ensino – Perfil atual e possibilidades de aperfeiçoamento, ele comparou as respostas dadas por professores e gestores escolares de todas as redes de ensino do país aos questionários da Prova Brasil. Abrucio identificou a gestão participativa, a qualidade dos professores e as práticas pedagógicas inovadoras da rede SESI como fatores que contribuem para o melhor desempenho dos seus alunos em relação aos das demais redes.

A rede SESI, em relação à gestão escolar, se destacou pela maior interação dos professores com a direção da escola e pela elaboração de projetos pedagógicos adequados à realidade local. Conforme o estudo, 47% dos professores do SESI afirmaram que participam sempre ou quase sempre das decisões relacionadas ao seu trabalho. Esse percentual foi de 43% na rede municipal e de 39% na estadual e na privada. Na construção de metas educacionais, 80% dos professores do SESI disseram que o diretor da escola os envolve nessa discussão ante 62% da rede municipal, 61% da estadual e 64% da privada. Já na elaboração de projeto pedagógico, 91% dos professores do SESI destacaram que houve elaboração de um modelo próprio ou adaptação de um modelo pronto à realidade escolar, frente 78% da rede municipal, 82% da estadual e 80% da privada.

Um outro aspecto relevante no desempenho dos alunos, apontado por Abrucio, é a atualização constante dos professores. “A formação inicial do professor não é suficiente. A variável-chave é a formação continuada, que envolve o saber prático de anos de trabalho em sala de aula”, destaca o pesquisador.

Nesse quesito, 94% dos professores da rede do SESI afirmaram ter participado de alguma atividade de desenvolvimento profissional sobre metodologias de ensino na sua área de atuação e reconheceram algum impacto na prática pedagógica. Esse percentual foi menor nas outras redes de ensino: 77% na rede municipal, 75% na estadual e 79% na rede privada.

Para Abrucio, a forma mais eficaz de formação continuada é propiciada pela troca de experiências entre os professores mais antigos e os mais novos. “A experiência internacional em educação mostra que a própria escola e a sala de aula são elementos estratégicos da formação dos professores. Cabe à gestão escolar proporcionar essa maior interação entre os professores”, afirma.