Entenda como são formadas as nuvens de gafanhotos!

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Recentemente o aparecimento de uma nuvem de gafanhotos que se formou no Paraguai e se espalhou pela Argentina chamou bastante atenção. As autoridades brasileiras ficaram em estado de alerta com a possibilidade de os insetos chegarem ao Brasil. Em entrevista ao podcast Estação Esalq, produzido pela Divisão de Comunicação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, o professor sênior do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq, Sinval Silveira Neto, falou sobre o processo de formação dessas nuvens de gafanhotos.

Quais as chances de a nuvem atingir o Brasil? 

De acordo com o professor, “provavelmente, essa nuvem não virá para o Brasil, pois o gafanhoto ou qualquer outro inseto migrante, quando executa o voo caracterizado de nuvens de migração, tem uma direção preestabelecida”. 

Além disso, alguns fatores contribuem para que a nuvem de gafanhotos atravesse a Argentina e chegue apenas ao Uruguai, como a entrada de uma frente fria e úmida no Sul do País. “Os gafanhotos, para executarem essa movimentação, precisam de condições quentes e secas. A frente fria e úmida atrapalha muito o deslocamento, de tal forma que, acredito, a nuvem está terminando sua jornada no Uruguai e vai cessar por aí”, explicou Neto. 

Comida e reprodução 

A nuvem de gafanhotos se desloca à procura de alimentação. Os insetos voam durante o dia e pousam em determinados locais durante a noite, normalmente onde encontram alimento suficiente, sendo frequente o pouso em locais de agricultura. Isso acaba se tornando um problema. Na Argentina, por exemplo, nas principais regiões atingidas havia produção de cana-de-açúcar e mandioca, além de apresentarem condições climáticas favoráveis. 

Mas os insetos não se alimentam só de vegetação plantada. “O ataque não se restringe apenas a culturas anuais, podem atacar também plantas perenes (espécies vegetais que possuem um ciclo de vida longo). E se não tiver cultura os gafanhotos vão se alimentar de plantas arbóreas e de mata. A pousada deles é sempre para alimentação e, depois, em seguida, para a reprodução”, detalhou o professor. 

Após a alimentação, os gafanhotos se acasalam. As fêmeas colocam os ovos no solo onde os insetos estão estabelecidos. Então, elas fazem um buraco no chão, introduzem o abdômen, depositam os ovos e os protegem com uma secreção impermeável, para que o desenvolvimento dos novos insetos não seja prejudicado em casos de chuva. No dia seguinte, as fêmeas e machos levantam voo e prosseguem com o deslocamento. 

Após aproximadamente 20 dias, os ovos eclodem em ninfas, a forma mais jovem dos gafanhotos. Depois de mais de um período de 20 a 30 dias, essas ninfas trocam de pele e começam a se movimentar no solo, sendo chamadas popularmente de “saltões”, porque passam a se deslocar pelo solo aos saltos. Eles continuam andando pelo solo até adquirem asa e, a hora que adquirem, já no estado adulto, vão voar formando uma nuvem secundária na mesma direção, continuando o que os progenitores estavam fazendo”.