Autoras defendem enfrentamento conjunto de machismo e racismo

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Bell Puã, Djamila Ribeiro e Selva Almada participam da mesa Amada vida na Flip 2018.

Em meio a uma edição mais intimista da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o encontro entre as autoras Djamila Ribeiro e Selva Almada cumpriu a expectativa de trazer à tona debates de cunho social mais “candentes”, como tinha definido a curadora da Flip, Josélia Aguiar. Aplaudidas em diversos momentos na noite de hoje (26), as escritoras defenderam um feminismo amplo e que enfrente os problemas, dando a eles os nomes que têm.

A autora destacou que é preciso reconhecer as opressões específicas que as mulheres negras sofrem, e que os grupos marginalizados não devem escolher contra qual opressão lutar, mas enfrentar o machismo e o racismo conjuntamente, já que, na visão da autora, são ambos que estruturam todas as opressões da sociedade brasileira.

Ao lado da brasileira estava a autora argentina Selva Almada, que publicou o livro Garotas Mortas, que conta histórias reais de feminicídio em seu país. Selva lembra que as histórias a marcaram porque as vítimas, como ela, eram jovens de povoados menores. Nesses lugares, uma série de costumes tentam assustar as mulheres em relação a ameaças fora de suas casas, mas não são denunciados com a mesma frequência os perigos que vêm das pessoas próximas, como vizinhos e familiares.