América Latina e Ásia tiveram maior número de jornalistas assassinados em 2020

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A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) repudiou os assassinatos de jornalistas em todo o mundo. Em 2020, 59 profissionais perderam a vida. As regiões da América Latina e Caribe e da Ásia-Pacífico foram responsáveis pela maioria dos crimes, com 22 mortes cada.

Em segundo lugar aparecem os países árabes, onde nove jornalistas perderam a vida. Na África, foram seis mortes neste ano. A última década contabilizou um total de 888 assassinatos.

A diretora-geral da Unesco, Audrey Auzolay, disse que nunca o jornalismo foi tão relevante para a democracia e a proteção dos direitos humanos, enquanto o mundo continua a batalha contra o coronavírus e a infodemia – epidemia de desinformação – que o acompanha. Ela reforçou que “proteger o jornalismo é proteger a verdade”.

Risco de Impunidade – No relatório da UNESCO sobre Segurança de Jornalistas e o Risco da Impunidade, divulgado em 2 de novembro, é possível detectar os padrões de assassinatos dos profissionais do setor nos últimos dois anos. Em média, na última década, um jornalista foi morto a cada quatro dias no mundo. O documento mostra ainda que a impunidade continua prevalecendo.

As condições de trabalho dos profissionais também são motivo de preocupação, já que os casos de assédio seguem aumentando. Os jornalistas que trabalharam informando sobre protestos como “Vidas Negras Importam” ou outras demonstrações enfrentaram riscos: entre janeiro e junho deste ano, eles foram atacados em 125 protestos em 65 países.

A Unesco está preocupada com a segurança das mulheres, alvo de violência de gênero na internet. Dados preliminares de uma pesquisa global com o Centro Internacional para Jornalistas indicam que 73% das jornalistas afirmaram ter sofrido violência na internet por causa do trabalho enquanto 20% disseram que o assédio online se transformou em ataques e abusos fora da internet.

COVID-19 – Em muitos países, legislações e medidas de emergência adotadas para evitar que o vírus se espalhasse serviram como álibi para restringir a liberdade de imprensa e expressão, informou a UNESCO. Jornalistas também têm sido perseguidos ao expor as falhas de como governos têm respondido à pandemia.

Juntas, estas condições formaram o que pode ser chamado de “tempestade perfeita”, levando ao medo de que a profissão de jornalismo esteja correndo o risco de extinção, como aponta a nota Jornalismo, Liberdade de Imprensa e COVID-19.