Alunas da Ufam criam movimento contra assédio e pedem mais segurança

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No Brasil, de acordo com a Constituição, “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual” é crime.

Em Manaus, na última segunda-feira (16), alunos da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) realizaram um ato de repúdio em relação aos diversos casos de assédio na Universidade. Deborah Cristina da Silva Dimas, caloura do curso de Ciências Sociais da UFAM e uma das pessoas que está à frente do protesto, explicou as razões do movimento e deu mais detalhes de ocorrências no Campus.

“A gente sabe que os assédios sexuais são frequentes tanto na nossa instituição, quanto fora. Mas dentro da nossa instituição não tem um espaço voltado para lidar com essas situações que são muito frequentes.” explicou.

Deborah também falou sobre o caso que ocorreu com sua colega de curso, que serviu de estopim para que outras ocorrências de assédio dentro do ambiente universitário fossem escancarados. “No nosso curso de Ciências Sociais, entrou uma aluna trans, que é minha amiga. No primeiro dia, ela já recebeu umas investidas, recebeu ligação “do homem lá”, do assediador. Ele ficou perseguindo ela, mandou mensagem à noite, mandou “nudes”. Ela perguntou se ele era louco e ele perguntou se ela era mulher, ela falou que era mulher trans e que ele entendesse como quisesse. Ele ficou insistindo, insistindo, insistindo… Até que a gente decidiu denunciar isso para o coordenador do curso.”

Deborah disse que o coordenador explicou que não tem uma ação prevista quando o assédio vem de aluno para aluno, só tem medidas de professor para aluno e que mesmo assim, geralmente, a denúncia não avança. A caloura falou que o coordenador chegou a conversar com o assediador, que parou por um tempo com as perseguições, mas depois voltou a praticar tais atos invasivos. Deborah e diversas pessoas, através da mobilização no curso e também por meios legais quer criar um espaço voltado a segurança das mulheres dentro da UFAM.